Guia Prático · Autocuidado

Reabilitação do
Assoalho Pélvico

Orientações baseadas em evidências para treino, prevenção e cuidado da musculatura pélvica — com linguagem acessível, guiada por profissionais.

Protocolo MAP / TMAP Atenção Primária · SUS Saúde Uroginecológica
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Esta cartilha segue os protocolos de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde e as recomendações de primeira escolha para tratamento e prevenção de disfunções uroginecológicas. O conteúdo foi desenhado em linguagem acessível para facilitar a consciência perineal e o autocuidado orientado por profissionais. [1], [2], [3], [4]
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Bloco 01

O que é o Assoalho Pélvico e por que cuidar?

O assoalho pélvico é um conjunto de músculos e ligamentos localizado na base do quadril, formando o "chão" da pelve. Ele sustenta estruturas essenciais do corpo e participa de funções cotidianas que muitas vezes só percebemos quando algo não vai bem. [3], [5]

Funções Principais
Sustentar órgãos importantes — bexiga, útero e intestino; conter a urina e as fezes voluntariamente; atuar na resposta e função sexual; e auxiliar ativamente no parto, guiando a descida do bebê.
Disfunções Comuns
O enfraquecimento dessa região causa perdas involuntárias de urina ao tossir, espirrar ou agachar (Incontinência Urinária), descida ou queda de órgãos pélvicos (prolapso), dores pélvicas crônicas e disfunções sexuais como vaginismo e dispareunia.
Abordagem no SUS
O Treinamento dos Músculos do Assoalho Pélvico (TMAP) possui padrão ouro de evidência científica e é ofertado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de forma multidisciplinar — com médicos, fisioterapeutas, enfermeiras e educadores físicos. [1], [3], [5], [6]
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Bloco 02

Consciência Perineal — Como Sentir o Músculo?

Antes de exercitar, é fundamental aprender a isolar e reconhecer a musculatura correta. Ativar o músculo errado é o erro mais comum — e pode até piorar o quadro se feito de forma sistemática. [2], [3]

O Teste do Xixi (Referência Mental)
Imagine que você está urinando e precisa interromper o fluxo repentinamente. O músculo que você usa para contrair e "puxar para dentro e para cima" é o assoalho pélvico. Use essa imagem apenas como referência mental para identificar o músculo certo.
Nota técnica: Nunca realize esse teste interrompendo o fluxo real no vaso sanitário. Fazer isso repetidamente prejudica o funcionamento da bexiga e pode causar infecções urinárias. A referência é mental, não prática.
O que NÃO fazer durante a contração
Três erros muito comuns que invalidam o exercício e devem ser evitados ativamente:

— Não encolha nem force a barriga (isso ativa o músculo abdominal, não o pélvico)
— Não aperte as nádegas nem feche as coxas
— Não prenda a respiração — respire normalmente durante toda a contração [7], [8], [9], [10]
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Bloco 03

Protocolo de Exercícios — Baseado em Evidências

O músculo pélvico possui dois tipos de fibras com funções distintas: as fibras de sustentação (lentas, responsáveis pelo suporte contínuo dos órgãos) e as fibras de fechamento rápido (responsáveis por "segurar" em momentos de pressão súbita como tosse e espirro). O protocolo correto treina os dois tipos. [11]

Contrações Longas
Fibras de Sustentação
5s
Contraia e seguremanter a contração
10s
Relaxe completamentedescanso ativo
×10
Repita 10 vezespor série
Contrações Curtas
Fibras de Reflexo
1s
Contraia com forçacontração rápida
2s
Relaxe totalmentesoltar por completo
×10
Repita 10 vezespor série
Realize esta rotina completa de 2 a 3 vezes ao dia. Os exercícios podem ser feitos deitada (posição mais fácil para iniciantes), sentada ou em pé — progrida conforme a evolução. [8], [9]
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Bloco 04

Recursos Complementares e Acesso pelo SUS

Quando os exercícios manuais não são suficientes — especialmente em casos de fraqueza muscular muito acentuada ou disfunções complexas — as equipes de saúde utilizam tecnologias de reabilitação pélvica com respaldo científico consolidado. [4], [12]

Eletroestimulação Pélvica
Uso de correntes elétricas de baixa intensidade para ajudar quem tem dificuldade de ativar voluntariamente o músculo a identificar e contrair a musculatura certa. Muito usada nos primeiros atendimentos. [12], [13]
📊
Biofeedback
Dispositivos que mostram em tempo real numa tela se a contração está sendo feita com a técnica e força corretas. Torna o exercício objetivo e permite ajustes imediatos. [12], [14]
Como acessar pelo SUS
O atendimento começa na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da sua residência. Lá você será avaliada pela equipe multiprofissional e, se necessário, receberá encaminhamento regulado para o serviço de fisioterapia pélvica ambulatorial disponível no seu município. [4], [6], [12], [13], [14]
🚨
Bloco 05

Sinais de Alerta e Hábitos do Dia a Dia

Mudanças simples na rotina diária diminuem a sobrecarga sobre a pelve e potencializam os resultados do treinamento. Ao mesmo tempo, é importante reconhecer quando a situação exige avaliação profissional. [15]

Procure avaliação profissional se tiver
Dor crônica na região pélvica, ardência constante que não é infecção urinária, incapacidade de relaxar a musculatura (hipertonia pélvica), ou sensação de "peso" ou "queda" na vagina — esses sinais indicam condições que precisam de manejo especializado, não apenas exercícios. [5], [15]
Regulação Intestinal
Evite fazer esforço excessivo ao evacuar e não deixe de ir ao banheiro quando sentir vontade. A constipação crônica estica e sobrecarrega os músculos pélvicos progressivamente — e é um dos maiores vilões do assoalho pélvico a longo prazo.
Controle de Peso e Tabagismo
O excesso de peso aumenta a pressão intra-abdominal constante sobre o assoalho pélvico. O tabagismo, além dos riscos gerais à saúde, causa tosse crônica — que agrava a perda urinária ao pressionar repetidamente a musculatura enfraquecida. [15], [16]
Hidratação Adequada
Não reduza a ingestão de água para "urinar menos" — esse hábito é contraproducente. A urina muito concentrada irrita a parede da bexiga e piora os sintomas. Mantenha boa hidratação e urine em intervalos regulares de 3 em 3 horas. [15], [16], [17]

📚 Referências Bibliográficas

[1]Revista Baiana de Saúde Pública — Protocolo TMAP na Atenção Primária. rbsp.sesab.ba.gov.br
[2]Revista DELOS — Consciência Perineal e Linguagem Acessível. ojs.revistadelos.com
[3]Vídeo educativo — Assoalho pélvico e consciência corporal. youtube.com
[4]USP Escola de Enfermagem — Cartilha Conhecer e Prevenir. ee.usp.br
[5]CREFITO-7 — Cartilha Saúde da Mulher. crefito7.gov.br
[6]Secretaria de Saúde do DF — Fisioterapia Pélvica na Rede Pública. saude.df.gov.br
[7]Casa Angela — Ginástica Íntima. casaangela.org.br
[8]TENA Brasil — Exercícios para o Assoalho Pélvico. tena.com.br
[9]Vídeo educativo — Protocolo de contrações. youtube.com
[10]CET Fisio — Importância da Fisioterapia Pélvica. cetfisio.com.br
[11]Always Brasil — Fortalecimento do Assoalho Pélvico. alwaysbrasil.com.br
[12]BAHIANA — Fisioterapia Pélvica: revisão de evidências. bahiana.edu.br
[13]TUSS iClinic — Eletroestimulação do Assoalho Pélvico. tuss.iclinic.com.br
[14]Dialnet — Biofeedback em Reabilitação Pélvica. dialnet.unirioja.es
[15]Academia.edu — Práticas e Qualidade de Vida Pélvica. academia.edu
[16]ResearchGate — Reabilitação do Assoalho Pélvico nas Disfunções Urinárias. researchgate.net
[17]Passei Direto — Recursos Terapêuticos em Reabilitação Pélvica. passeidireto.com

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